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Prioridades

Um Cachorro Bravo escreve:



Alemanha -
família Melander de Bargteheide.
Despesa com alimentação em uma semana: 375,39 Euros (500,07 dólares)



Estados Unidos -
família Revis, da Carolina do Norte.
Despesa com alimentação em uma semana: 341,98 dolares



Equador - família Ayme de Tingo.
Despesa com alimentação em uma semana: 31,55 dólares



Chade - família Aboubakar, do campo de refugiados de Breidjing.
Despesa com alimentação por semana: 685 francos (1,23 dólar).

********************************************
Quer saber por que você só fica sabendo desse tipo de coisa quando recebe um daqueles e-mails chatos do seu amigo que tem o coração mole?
É porque na televisão (e infelizmente na democrática Internet também) só se fala disso aqui:





Dos assassinos de UMA Isabella.














Dos travecos que o Ronaldo pegou.
















Do padre voador.












Quando se derem conta de que o povo não aguenta mais ouvir e ver falar desses três assuntos, eles vão desenterrrar as últimas da vagabunda da Paris Hilton ou então voltam a encher o saco da simplória Preta Gil.
Se nos debruçamos sobre inutilidades e fechamos os olhos à coisas mais importantes, podemos ficar certos de que a seleção natural se encarrega do resto.

*As fotos e as informações sobre as ceias semanais são dicas do meu amigo Michelson.

April 30, 2008 | 8:04 AM Comments  0 comments

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Um Último Encontro

Um Cachorro Bravo escreve:

Em noite quente tentam entender um ao outro.
Discutem, interpelam, olham-se descrentes.
Ela parece não ter interesse.
Ele quer provar conclusões.
A noite quente envolve.
Bebem, mas não se embriagam.
Prezam a sobriedade nessa disputa.
Razões vão à mesa como acompanhamento do prato principal.
Por fim deixam o silêncio falar.
Esse é o juiz que decidirá se o ar será constrangedor.
Ele se desculpa,
Depois de olhar para o nada por alguns instantes.
Não quer forçá-la a nada.
Ela lhe beija a face,
Depois de ver ternura nos olhos dele.
Ela não quer laços.
Concordam finalmente.
Saem.
Ele acredita que é o fim,
Mas fica na sala até o último crédito aparecer.
Ela não quer magoá-lo,
Mas insiste em dizer que o ama de alguma forma.

-Não vou te dar nem um beijo de despedida.
-É impossível sentir o gosto do seu desprezo pela pele do meu rosto.
-Não é seu rosto que eu quero beijar.

O encontro dos lábios é súbito, atrapalhado, áspero.
O gosto lembra a primeira vez.
A lua é testemunha lívida
Do encontro das carnes morenas.
No leito, a respiração ofegante.
A voz doce e rouca da música parece diluir a esqualidez do ar.
Enfim, silêncio.
Enfim. É o fim?





April 29, 2008 | 10:04 AM Comments  0 comments

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prefê, pq?

Um Cachorro Bravo escreve:
Nos caixas preferenciais de banco e etc, o idoso tem a preferência em filas porque a mensagem passada é o seguinte: vai logo no caixa, pro senhor não morrer aqui.
Já no caso da grávida, a mensagem é essa: vai logo no caixa, pra você não parir aqui.
Só que além dessa mensagem, existe uma outra interpretação do subtexto aí. No caso do idoso surge a idéia de que o senhorzinho lá já viveu demais, que mal tem deixá-lo passar?!
Enquanto na grávida, eu deixo você concluir com uma historinha e uma piada:

A História

Na manhã em que eu fui fazer minha matrícula na faculdade, após duas horas de fila uma senhora gorda passa na frente de todo mundo e se declara "grávida", apesar de claramente ali só existir banha. Então criou-se uma pequena revolta lá e apareceu uma mulher fit se declarando como grávida tb. Porra, a mulher era travada, não tinha nem uma barriguinha. Só faltou ela dizer que tinha acabado de dar uma.

O que eu posso dizer?! A barraca tinha armado, a fit aproveitou e créu, e pra gordinha, só se foi com viagra. Logo, além da barraca armada de alguém, o circo tava pegando fogo. E eu sentado com cara de palhaço.

A piada

Um bêbado tava passando na praça, uma mulher grávida passa por ele e diz:
- O senhor não tem vergonha não?! Anda bêbado por aí... todo mundo sabe que o senhor bebeu demais!
E ele responde:
- E a senhora?! Anda com essa barriga por aí... todo mundo sabe que você deu por aí!

beijos.

April 28, 2008 | 9:04 AM Comments  0 comments

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Plim Plim



"A terapia é o entretenimento dos ricos e a televisão é o analista despreparado dos pobres".
André Dahmer.
Um Cachorro Bravo escreve:

Eu imagino uma reunião, algumas semanas atrás, num aquário da Rede Globo. Alguns figurões fazem planos para manter a liderança da emissora:

-Figurão 1: É. Não dava pra segurar o Big Brother por mais tempo. A bichona daquele psiquiatra ia foder com a credibilidade do Pedro Bial.

-Figurão 2: Mas nós fodemos com toda a credibilidade do Pedro Bial quando a gente tirou ele do jornalismo e mandou ele para aquela masturbação de reality show.

-Figurão 1: Que seja. De qualquer forma a audiência até que tava boa. Quem diria que um emo e uma piauiense semi-analfabeta iriam alavancar o IBOPE da edição mais insossa dessa porcaria de programa. E então? O que a gente vai colocar no lugar do BBB pra manter nossa concessão? (leia-se entupir o povo de porcaria).

-Figurão 3: A gente pode falar mal do PT. Sei lá, encomendar um outro escândalo no governo pra revista Veja. Dizer que o Lula sabia das intenções do mosquito da dengue. O Arnaldo Jabour tá só esperando o sinal verde da diretoria.

-Figurão 1: Hum.. Não sei não. Tá meio cedo. O povo já tá de saco cheio de ouvir falar em Cartão Corporativo. Além disso a popularidade do língua-presa ainda tá muito alta. Suspende isso por enquanto.

-Figurão 4: Porra! Vai sair alguma coisa dessa reunião? São oito da noite e a gente tá perdendo pro desenho do Pica Pau que tá passando na Record!

(Entra, eufórico, um jornalista recém-contratado que estava tirando xérox pro William Bonner e fala para o figurão no centro da mesa)

-Jornalista Estagiário: Senhor! Acabou de sair uma notícia de uma menina que caiu do quarto andar de um prédio de classe média alta em São Paulo!

(Os figurões se entreolham e sorriem maliciosamente).

April 23, 2008 | 9:04 AM Comments  0 comments

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Que soprem as velinhas

De minha janela olho para a grama seca de Brasília e penso:
-Essa grama já morreu de vez.
O cerrado de Brasília tem um clima ingrato. De maio a setembro não cai um pingo de água e a umidade do ar chega a mínimos alarmantes. A gente olha para a grama e sente dó. Tem-se a impressão de que ela nunca mais irá renascer, de que está definitivamente acabada. Então um amigo se aproxima de mim e diz:
-Você não conhece a grama de Brasília. Espere cair as primeiras chuvas, e aí, de onde você acha que não existe mais nada, renascerá a grama.

Alejandro Bullón em A Procura.


Uma homenagem à esta cidade e à capacidade de renascimento, transformação, que ela inspira.

April 21, 2008 | 1:04 AM Comments  0 comments

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