Somos condicionados a uma ‘estrutura simbólica’ que domina nossa interação com as outras pessoas. Quem são os condicionadores, «eu» ou «outros»? Os dois. «Eu»: busca de meu ‘eu’, por meu lugar no mundo, por minha responsabilidade, por reconhecimento, tentativa de transpor a necessidade pela liberdade, frustrado, ansioso, volitivo, racional, efêmero, fragmentado, etc; «outros»: indiferença, imposição ideológica, dominação das ‘estruturas simbólicas’, banalização do erótico, promessas de eternidade – amor – fama – sucesso – vigor – igualdade – superioridade – sexo – amizade – companheirismo – proximidade – confraternidade..., etc. No fim das contas: por um lado, deixo-me envolver pelo ‘simbólico’, já que assim sinto-me firme, consolado, apoiado; por outro lado, o ‘simbólico’ seduz-me, pois desejo ‘ser’ tal qual é-me oferecido.
Perambular freneticamente pela “aparência” é o que nos condiciona. A vontade de ser/ter “tudo”, e sempre, só manifesta a nossa finitude. E esse “tudo” não é senão “aparência”. Não que eu esteja categorizando “real” e “aparente”; falo da e pela “vida” temporal. Não nos enganemos, não seremos de “todas” as maneiras. Apresentamo-nos de muitos modos, transpomos a imediatidade individual, somos possíveis «existencialmente», todavia, no tempo presente. Ser “herói” (seja do pensamento, da luta, da salvação, da redenção, do sexo, da cura, da invenção, etc.) , como na antiguidade-atual, pode dar-lhe fama de longa data, porém, fisicamente não mais sentirá o calor do presente. É mortal saber disso, mas quem leva isso em conta? Afinal, se pensamos/agimos no agora sem perspectiva duma mudança futura, o que fazemos?
Transpor o «desígnio» para o próprio «destino» é tarefa que nos impomos inexoravelmente. Queremos realizar a reconciliação do «destino» com a «vida». Almejamos viver não de maneira necessária, causal, mas de modo «excedente», autêntico – desde que seja de mentira bem vista e contada. Isso não vem a dizer que “podemos” fazer de um “tudo”. O “tudo”, já foi dito, não “é”; não é possível; não é realizável no tempo da vida. Saudemos o que se será, já que o que se é, é apenas o que somos.